Uma feminilidade muito própria

 

Momentos houve em que o cheiro do mar se misturou como sabor das lágrimas, das minhas lágrimas. O som das ondas tinha tendência a acalmar-me o espírito quando o rebuliço se impunha. Momentos houve em que era só eu e ele como companhia.

Confesso que existiam dias em que perdia a noção do tempo que passava a observar o mar, confesso que existiram dias em que em que perdi a noção do tempo em relação à última vez que me sentira feliz e que fora efectivamente feliz.

Gosto. Gosto de passear pela praia em finais de dia. Gosto da brisa do mar a tocar-me no rosto mas gosto sobretudo da intimidade que isso me provoca. Gosto da imensidão e da sensação de paz que essa imensidão me permite.

Confesso que momentos houve em que perdi a noção da felicidade, em que perdi o sorriso e a vontade de fazer. Mas uma coisa vos garanto nunca perdi a gosto pelas pérolas nem a vontade de estar sempre elegante numa feminilidade muito própria.

Até porque contínuo assim muito mãe, muito mulher mas sobretudo muito eu mesma.

Marta Leal

Deixe um comentário