Pais de gémeos | A nossa história

 

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Às vezes os milagres acontecem aos pares

Somos uma super família, eu, Débora, 30 anos, enfermeira de profissão, sempre bem disposta,
o André de 32 anos, médico de profissão, bodyborder nos tempos livres
e as Marias, as nossas doces filhas que nos pregaram o maior susto da nossa vida e nos demonstraram que o amor supera tudo.

Para a maior parte das pessoas a maior e mais bela aventura da vida é serem pais.
Nós não fomos excepção, é sem dúvida a maior, melhor e mais desafiante aventura da nossa vida.
Mas foi uma aventura que teve um começo diferente e atribulado.
Sempre sonhámos em ser pais, e eu sempre tive um grande fascínio por gémeos, mas estava muito longe de imaginar que iria ter gémeos quando tentasse engravidar.
Só soube na segunda ecografia que estavam dois bebés a crescer dentro de mim e foi uma grande surpresa mas também uma grande felicidade.
A gravidez foi muito vigiada, com muitas náuseas e vómitos mas com a melhor sensação do mundo, a de sentir dois bebés a mexer dentro de mim.
Mas às 25 semanas de gestação sem nada o fazer prever, elas decidiram nascer. E nada, nem a medicina, conseguiu contrariar essa vontade.

Nunca tínhamos visto bebés tão pequeninas, tão lindas e perfeitinhas. Uma tinha 684gr a outra 741gr.
Tiveram muitas complicações, mas a sua energia, força e todo o nosso amor fez que,
ao fim de 109 dias de internamento, pudéssemos finalmente estar os 4 em casa, prontos para uma nova aventura!

primeira

Estávamos tão felizes por tê-las em casa, por ter duas filhas para encher de mimos, para cuidar, para amar, por ter uma casa cheia, cheia de tanto amor!

segunda

Mas nem tudo são coisas boas, e sermos pais de gémeos tem que se lhe diga, ora vejam: 

Tudo a dobrar (para o bom e para o mau), berços, roupa, fraldas, comida, chuchas, biberons, o carrinho do bebé ganha outra dimensão e passa a ser um carrão de bebé, espreguiçadeiras, cadeiras de comer, etc……

Cuidar a dobrar (mudar umas 15 fraldas por dia, dar comer, vestir umas 4 vezes por dia (quando se sujam pouco), dois banhos, 40 unhas para cortar todas as semanas, lavar duas vezes os dentinhos de manha e à noite, fazer massagens (elas adoram), dar atenção e estimular, brincar,  adormecer e acreditem que o cansaço é bem mais que a dobrar.

Birras a dobrar. Choro a dobrar. Mas amar e ser amado a dobrar ou mais que a dobrar!!!
É o melhor de tudo. Dois sorrisos, dois beijinhos, dois abraços, dois colinhos.

terceira

Dormir, o que é isso? Nunca dei grande importância ao sono, até ser mãe!
Nunca imaginei que a chegada de um bebé, ou no nosso caso, de duas bebés, me transformasse num ser tão desesperado por uma horinha de sono.
Quando as Marias estavam internadas, por muito que pudesse dormir, não conseguia, pela ansiedade, pelo medo, o pânico, a tristeza, a saudade, e também por extrair leite para a bomba de 3 em 3 horas.
Ao fim de algumas semanas, comecei a sentir saudades de dormir mais do que 3 horas de seguida, apesar de haver noites em que até o conseguia fazer.
Mas com a chegada das Marias a casa, a história não melhorou.

Na primeira semana as Marias só comiam e dormiam! Eu e o meu marido nem estavámos a acreditar que tínhamos duas filhas tão bem comportadas…
Apesar disso, nós dormíamos pouco, com a preocupação constante em ver se elas estavam bem.
Mas as Marias bem comportadas foi sol de pouca dura. Após duas semanas, uma dormia e a outra estava acordada, depois dormia a outra e a primeira acordada, semana a semana tudo piorava e nós os dois a morrer de sono, mal tínhamos força.
Tinham os horários completamente trocados :(

Também sinto uma tristeza grande, por não poderem dormir juntas, pois uma acorda a outra e vice-versa.
Por vezes tenho de adormece-las até em divisões da casa diferentes.

quarta

Dois para um… Sinto-me sempre com o coração em pedacinhos quando estou com uma ao colo e vejo a outra com o olhar de “gato das botas” a pedir colinho também.

Quando estamos os dois papás em casa é fácil, justo, e tão simples!
Vai uma para cada colo, e surge instantaneamente um sorriso no rosto dos 4.
Todos rimos, todos nos desmanchamos em gargalhadas fáceis.

Mas quando está apenas um de nós é tão difícil! E parece tão injusto.

quinta

Quando choram ao mesmo tempo. Sinceramente já tive vontade de chorar e de fugir.
Houve mesmo momentos que chorámos as três! Já me senti em pânico de não saber o que fazer, principalmente nos primeiros meses, mas agora é mais fácil.
O truque é distraí-las, e a milagrosa chupeta.

1, 2 3 uma colher de cada vez…, ou não! Se na maior parte dos casos dar comer a um bebé demora algum tempo, imaginem dois, nem quero imaginar três.

Partilhar é bom, mas é difícil por enquanto. Sempre achei que duas bebés era bom porque brincavam uma com a outra e partilhavam os brinquedos, o que acontece na realidade é que tenho uma que tira todos os brinquedos à irmã.
Roupa é partilhada e tento vesti-las de maneira diferente mas com padrões parecidos.

Sair de casa! É necessário uma grande logística, e até um simples passeio requer uma super organização.
Ter em atenção os locais onde passa o carrinho, quer dizer, carrão de bebés.
A mala de bebé é com tudo a dobrar (água, comida, roupa, fraldas, toalhitas, compressas, chuchas, brinquedos, etc.)
Depois outra das coisas que também me causa algum constrangimento é que “toda a gente” adora ver gémeos, e acabamos por ser sempre o centro das atenções.
Por onde passamos ouvimos sempre comentários, “coitados tudo a dobrar”, “são verdadeiros ou falsos”, “dão muito trabalho”, “sentem as mesmas coisas?” entre outros comentários engraçados.

A cumplicidade com as outras mães de gémeos. Apenas os pais de gémeos compreendem os outros pais de gémeos!
Torna-se assim fácil criar uma grande empatia quase instantânea com pessoas que antes nem sequer conhecíamos, simplesmente porque temos em comum o facto de sermos pais de gémeos.
O que é óptimo, porque desde que elas nasceram, já criámos grandes amizades!

As minhas regras de ouro para outras mães de gémeos são: Essencialmente, simplificar!
Planificar com alguma antecedência as saídas à rua, a preparação das refeições, as visitas, as compras, haver uma boa organização e trabalho de equipa com o marido, implementação de rotinas para haver melhor qualidade de sono, dar-lhes tempo, respirar fundo e contar até 10 quando fazem birras ou choram ao mesmo tempo, dar de comer às duas ao mesmo tempo se estiver só uma pessoa com os dois, e acima de tudo, brincar muito muito muito com eles, ter muita paciência, e amá-las sempre!

Apesar de todo o trabalho a dobrar e de termos que ter paciência redobrada e muita genica para cuidar de mais do que um bebé ao mesmo tempo, é uma sensação maravilhosa amar a dobrar e ver a cumplicidade entre elas.
Adoro ser mãe de gémeos e acreditem que voltava repetir (sem a parte de nascerem antes do tempo), mas por enquanto, tenho de aproveitar todas as fases maravilhosas do crescimento delas.

sexta

 

Débora Barroso
Autora do Blogue

Nós e as Marias

1 Comentário

  1. Teresa - 31 Agosto, 2016

    Adorei o Vosso artigo! Sejam Felizes! Que a Vida Vos SORRIA!!!!!!

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