O meu corpo e eu

 

Antes de lhe falar um pouco sobre a relação que temos com o nosso corpo, desafio-o a um pequeno exercício. Feche os olhos. Percorra mentalmente as várias características de todos os seus aspectos que compõem a sua aparência corporal. Vá fazendo uma lista do que lhe agrada e do que lhe desagrada no seu corpo.

Agora vou fazer o que parece um pequeno truque de adivinhação de feira: houve, pelo menos, uma coisa que listou que lhe desagrada no seu corpo e muito provavelmente houve mais do que uma. Digo-lhe mais ainda: o lado das “coisas que eu mudaria se pudesse” ganhou ao lado das “coisas que me agradam imenso no meu corpo”.

Acertei? :)

A insatisfação corporal é muito mais frequente do que aquilo que julgamos. Raramente há alguém, neste mundo moderno e que nos pressiona com diversos exemplos sobre o modelo em que deveríamos encaixar, que se sinta contente com todas as suas características físicas: ou é o peso, ou a barriguinha, ou o cabelo, ou a pele, ou a altura, ou… qualquer coisa, de facto!

É tão frequente que é absolutamente normal. O que não quer dizer que cada um de nós não deva trabalhar activamente na direcção de uma maior aceitação pessoal, de corpo ou personalidade, criando maior tolerância em relação a si própria e, melhor ainda, criando formas astutas de tirar partido do que, à partida, poderia considerar como algo de menos satisfatório em si. Isso, então, é toda uma arte!

No entanto,a nossa imagem corporal, ou seja, a forma como avaliamos e nos sentimos em relação ao nosso corpo, pode criar-nos dificuldades. Também pode ser indicadora de que existem outras dificuldades que, por sua vez, a estão a criar. Digamos que é um extremo de uma linha contínua que se pauta por um excesso de insatisfação ou um foco, também ele excessivo, num determinado aspecto corporal.

Neste ponto mais afastado dos desafios saudáveis estão temas ligados à depressão e à ansiedade. Se algum aspecto do corpo lhe causa uma insatisfação de tal ordem que afecta a liberdade com que efectua as suas escolhas de vida ou lhe ocupa um tempo de preocupação que seja significativo, então está na hora de procurar ajuda.

Estando na companhia da maioria das pessoas, a ocupar os pontos centrais da insatisfação, deixamos-lhe algumas dicas para ajudar numa auto-estima corporal melhorada:

  • Traga ao plano da consciência aquilo que, em si, lhe desagrada ou provoca renúncia; deixar que temas de desagrado permaneçam lá bem no fundo do cérebro é muito pouco útil porque não nos permite mobilizar acções específicas para solucionar o que precise ou possa ser solucionado
  • Crie um mecanismo de compensação sistemático: “disto não gosto, mas disto e disto gosto”, para evitar ficar preso na insatisfação
  • Procure a raíz: “Não gosto porquê? De onde é que isto vem?”. Vai ficar surpreendido pelo número de vezes em que se apercebe que as razões de insatisfação advêm apenas de uma comparação constante e subliminar com os modelos impossíveis que a nossa cultura nos vai fazendo passar à frente dos olhos
  • Pratique a tolerância e uma perspectiva enriquecida e saudável que coloque os temas na sua devida proporção face a todos os outros temas na vida
  • Nalguma questão sobre a qual possa agir, de uma forma saudável e descomplicada, porque não fazê-lo? Se não gosta dos caracóis, pode alisá-los, se tem uma gordurinha irritante pode dar conta dela, se está insatisfeita com os olhos, pode recorrer à maquilhagem…
  • E há sempre a possibilidade de fazer das características que sente como imperfeições, porta-estandartes exibidos com orgulho, ou, pelo menos, com a descontração de quem sabe que o ser humano é complexo e interessante apenas nas suas imperfeições.
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Autor: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

Direcção Geral da Oficina de Psicologia

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